Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005


"Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim..."

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Apesar das unhas grandes, das mãos pesadas, dos cabelos esvoaçados, da cara amarrada (e pálida), do ollar perdido, da mente em "outra dimensão", o pedido dele de abraço a entorpece.

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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005


Estou precisando falar de algo que está engasgado. Por instantes, quase me fazia perder o ar. Mas engoli, com esforço e ajuda de alguns pingos rolando no rosto. Creio que, daqui pra frente, depois de hoje, de já ter engolido forçosamente outras vezes, não vai dar mais pra fingir que está tudo bem. É uma dor chata, sabe? Daquelas que se sente e que você não consegue ver remédio na hora, a não ser o pranto. Uma dor de entre. Entre o respeito e a vontade de dizer palavrão. Entre a explosão e a resignação. Pelo menos, devo falar desse meu incômodo a quem me denomina ''caixinha de surpresas'', já que, assim me metaforizando, não presume o que se passa por aqui, nesse ''coraçãomente''.

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Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005


Você já pediu desculpa por ter sido falso(a)?

Antes não ter sido, não é mesmo? Porque não há comprovação maior da falsidade do que a sua legitimação, a sua assinatura desconsertada. Como numa audiência pública, na sala de aula, a aluninha de olhos miúdos - que desde o primeiro dia me pareceu, como diria minha mãe, saliente demais - ficou com o rabo entre as pernas. Numa tremenda saia justa, se preferirem.

A sala estava em polvorosa. Mas professora, como a senhora pode passar um texto em Espanhol?! Nós temos uma língua-mãe! E, como eu já imaginava, a professora defendeu, com unhas e dentes, a indicação do texto. Isso num discurso inflamado, irritado, inconformado. Gente, que mente limitada! E falou, e falou. Não lembro agora, com fidelidade, quais mais as frases dela. Me recordo no geral, então não vou escrevê-las aqui com o risco de deturpá-las. Mas imaginem aí uma defesa, uma argumentação de quem fez doutorado na Espanha e uma irritação de quem olha na cara do oponente. Ui!

Já se ia meia hora de aula e o assunto não cessava. E claro, já era hora, da salientizinha se pronunciar. Professora, confesso que li o texto uma vez e não tava entendendo muito bem. Mas depois, aos poucos, fui lendo outra vez, e já fui entendendo tudo, fazendo umas anotações... Me senti vencendo um desafio, foi o máximo! A professora gesticulava com a cabeça, embora aquele pronunciamento besta - e falso! Vocês vão já saber o porquê - fosse perfeitamente dispensável.

Ao que a dita falou, a professora direcionou pouca importância. Estava mais preocupada em contra-argumentar, em expressar sua indignação na sua voz alterada, nos seus olhos esbugalhados. No entanto, aquela interrupção da aluninha foi motivo de surpresa para outra aluna, justamente a que exigia o texto em Português. Engraçado você falar isso agora... Quando a gente se encontrou, você também tava desapontada com o texto em Espanhol, dizendo que tinha achado horrível... A aluninha dos olhos miúdos não esperava por uma dessas, né? Eu? Falei isso? E vocês não sabem o quanto eu apreciei aquele momento. A máscara se desfacelando ali, na minha frente, crac, crac, crac. Que cena!

Como se não bastasse a certidão viva da falsidade, eu ainda mereci vê-la pedindo desculpas. Ô, mulher, desculpa... Lembrei agora que eu realmente falei aquilo. Ai, ai, ai... Que atuação! Pena que as palmas só ressonavam na minha mente. Pena, pena... A aluninha é formada em Direito, está na sua segunda graduação. Se ela preferiu não advogar porque achava a profissão nojenta, falsa, não soube ainda se afastar dessa inclinação.

Incrível como essas pessoas mais expostas, falantes, estão mais suscetíveis a esses deslizes. Continuo, mais do que nunca, com minhas observações e reservas acerca daqueles olhos miúdos... que, desde o primeiro momento, me incomodaram. Eu não caí naquela esparrela. Eu já desconfiava da falsidade. Dias atrás, eu a vi consumada, de fato. E todos viram, então, a prova de que ela existe. Asquerosa, como tinha de ser.


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Sábado, Fevereiro 12, 2005


Quer saber? Ando sem muita vondade de escrever aqui. Uma pena. Mas só pra deixar vocês por dentro do carnaval que passou, lá vai:

- O carnaval em Guará foi tranqüilo. Amoroso e relaxante.
- A galera da Psicologia decepcionou no quesito limpeza.
- A Coca-cola tem mil e uma utilidades. Cês sabiam? Dentre elas, desentupidor de pias e sanitários. É verdade.
- A prisão de ventre desceu a serra comigo. Desgraçada! Grrrr!
- O Paulo Victor nunca mais esquece a lingüiça que comeu em Pacoti. Frase dele: ôô bicha boa!
- A cachoeira do Perigo esse ano saiu de graça. Quem quiser saber a mamata, é só falar comigo.
- Como sempre, só dá aluno e professor da Unifor no carnaval.
- Nossa panelinha era só de 4, mas até que a gente se divertiu.
- Está pra ser lançado o site www.erwertonsabe.com.br. Guua! O cara sabe de tudo, mermão! Vai te f...
- Pico Alto, como era de se esperar, estava enebriante.
- Mais uma vez, minhas leituras viajam e voltam intactas. Eiê...
- 2h10 da manhã, nada mais apropriado: lavar colcha de cama ensopada de vinho. E não era eu que estava bêbada, viu?
- A minha música preferida foi: Passarinho? Que som é esse? É o som do... Hihihi!
- Os dias passaram voando e, pra completar, a dona da casa pede e invade a propriedade na quarta-feira de manhã. Um ótimo despertar, não?
- E varre, varre, e junta lixo, junta lixo.
- Na estrada de volta, não teve velhinha dirigindo na nossa frente, mas teve gente pedindo pra vomitar. Ai papai.
- Eu só digo uma coisa: ano que vem tem mais. ;p


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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005


Não conheço mais ninguém. Provavelmente, todos os rostos familiares devem estar em casa, enclausurados, pensando nas suas monografias. E a pergunta ressonando: o que eu tô fazendo aqui ainda? Hein? Acooorda! Tá mais do que na hora, porra! Cada início de semestre, de cansaço, de mesmice, parece renovado quando vejo aqueles rostinhos queridos, que me acompanharam durante quase 4 anos. Mas hoje não conheço mais ninguém. Formarei equipes com pessoas que nunca vi, às quais terei que provar que não sou uma aluninha qualquer, negar a idendidade vagabundinha enraizada nessa universidade. E me falta disposição pra tal feito. Porque queria me livrar disso tudo agora. Tá mais do que na hora! Acoorda, porra! Não conheço mais ninguém.

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